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sexta-feira, 11 de novembro de 2016

As obras da Carne e o Fruto do Espírito - Introdução

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Gl 5.19-23 “Porque as obras da carne são manifestas, as quais são: prostituição, impureza, lascívia, idolatria, feitiçarias, inimizades, porfias, emulações, iras, pelejas, dissensões, heresias, invejas, homicídios, bebedices, glutonarias e coisas semelhantes a estas, acerca das quais vos declaro, como já antes vos disse, que os que cometem tais coisas não herdarão o Reino de Deus. Mas o fruto do Espírito é: caridade, gozo, paz, longanimidade, benignidade, bondade, fé, mansidão, temperança. Contra essas coisas não há lei.”

Nenhum trecho da Bíblia apresenta um mais nítido contraste entre o modo de vida do crente cheio do Espírito e aquele controlado pela natureza humana pecaminosa do que 5.16-26. Paulo não somente examina a diferença geral do modo de vida desses dois tipos de crentes, ao enfatizar que o Espírito e a carne estão em conflito entre si, mas também inclui uma lista específica tanto das obras da carne, como do fruto do Espírito.
OBRAS DA CARNE. “Carne” (gr. sarx) é a natureza pecaminosa com seus desejos corruptos, a qual continua no cristão após a sua conversão, sendo seu inimigo mortal (Rm 8.6-8,13; Gl 5.17,21). Aqueles que praticam as obras da carne não poderão herdar o reino de Deus (5.21). Por isso, essa natureza carnal pecaminosa precisa ser resistida e mortificada numa guerra espiritual contínua, que o crente trava através do poder do Espírito Santo (Rm 8.4-14; ver Gl 5.17 nota). As obras da carne (5.19-21) incluem:
5.1) “Prostituição” (gr. pornéia), i.e., imoralidade sexual de todas as formas. Isto inclui, também, gostar de quadros, filmes ou publicações pornográficos (cf. Mt 5.32; 19.9; At 15.20,29; 21.25; 1Co 5.1 Os termos moichéia e pornéia são traduzidos por um só em português: prostituição.
(1) “Impureza” (gr. akatharsia), i.e., pecados sexuais, atos pecaminosos e vícios, inclusive maus pensamentos e desejos do coração (Ef 5.3; Cl 3.5).
(2) “Lascívia” (gr. aselgeia), i.e., sensualidade. É a pessoa seguir suas próprias paixões e maus desejos a ponto de perder a vergonha e a decência (2Co 12.21).
(3) “Idolatria” (gr. eidololatria), i.e., a adoração de espíritos, pessoas ou ídolos, e também a confiança numa pessoa, instituição ou objeto como se tivesse autoridade igual ou maior que Deus e sua Palavra (Cl 3.5).
(4) “Feitiçarias” (gr. pharmakeia), i.e., espiritismo, magia negra, adoração de demônios e o uso de drogas e outros materiais, na prática da feitiçaria (Êx 7.11,22; 8.18; Ap 9.21; 18.23).
(5) “Inimizades” (gr. echthra), i.e., intenções e ações fortemente hostis; antipatia e inimizade extremas.
(6) “Porfias” (gr. eris), i.e., brigas, oposição, luta por superioridade (Rm 1.29; 1Co 1.11; 3.3).
(7) “Emulações” (gr. zelos), i.e., ressentimento, inveja amarga do sucesso dos outros (Rm 13.13; 1Co 3.3).
(8) “Iras” (gr. thumos), i.e., ira ou fúria explosiva que irrompe através de palavras e ações violentas (Cl 3.8).
(9) “Pelejas” (gr. eritheia), i.e., ambição egoísta e a cobiça do poder (2Co 12.20; Fp 1.16,17).
(10) “Dissensões” (gr. dichostasia), i.e., introduzir ensinos cismáticos na congregação sem qualquer respaldo na Palavra de Deus (Rm 16.17).
(11) “Heresias” (gr. hairesis), i.e., grupos divididos dentro da congregação, formando conluios egoístas que destroem a unidade da igreja (1Co 11.19).
(12) “Invejas” (gr. fthonos), i.e., antipatia ressentida contra outra pessoa que possui algo que não temos e queremos.
(13) “Homicídios” (gr. phonos), i.e., matar o próximo por perversidade. A tradução do termo phonos na Bíblia de Almeida está embutida na tradução de methe, a seguir, por tratar-se de práticas conexas.
(14) “Bebedices” (gr. methe), i.e., descontrole das faculdades físicas e mentais por meio de bebida embriagante.
(15) “Glutonarias” (gr. komos), i.e., diversões, festas com comida e bebida de modo extravagante e desenfreado, envolvendo drogas, sexo e coisas semelhantes.
As palavras finais de Paulo sobre as obras da carne são severas e enérgicas: quem se diz crente em Jesus e participa dessas atividades iníquas exclui-se do reino de Deus, i.e., não terá salvação (5.21; ver 1Co 6.9 nota).
O FRUTO DO ESPÍRITO. Em contraste com as obras da carne, temos o modo de viver íntegro e honesto que a Bíblia chama “o fruto do Espírito”. Esta maneira de viver se realiza no crente à medida que ele permite que o Espírito dirija e influencie sua vida de tal maneira que ele (o crente) subjugue o poder do pecado, especialmente as obras da carne, e ande em comunhão com Deus (ver Rm 8.5-14 nota; 8J4 nota; cf. 2Co 6.6; Ef 4.2,3; 5,9; Cl 3.12-15; 2Pe 1.4-9). O fruto do Espírito inclui:
(1) “Caridade” (gr. agape), i.e., o interesse e a busca do bem maior de outra pessoa sem nada querer em troca (Rm 5.5; 1Co 13; Ef 5.2; Cl 3.14).
(2) “Gozo” (gr. chara), i.e., a sensação de alegria baseada no amor, na graça, nas bênçãos, nas promessas e na presença de Deus, bênçãos estas que pertencem àqueles que crêem em Cristo (Sl 119.16; 2Co 6.10; 12.9; 1Pe 1.8; ver Fp 1.14 nota).
(3) “Paz” (gr. eirene), i.e., a quietude de coração e mente, baseada na convicção de que tudo vai bem entre o crente e seu Pai celestial (Rm 15.33; Fp 4.7; 1Ts 5.23; Hb 13.20).
(4) “Longanimidade” (gr. makrothumia), i.e., perseverança, paciência, ser tardio para irar-se ou para o desespero (Ef 4.2; 2Tm 3.10; Hb 12.1).
(5) “Benignidade” (gr. chrestotes), i.e., não querer magoar ninguém, nem lhe provocar dor (Ef 4.32; Cl 3.12; 1Pe 2.3).
(6) “Bondade” (gr. agathosune), i.e., zelo pela verdade e pela retidão, e repulsa ao mal; pode ser expressa em atos de bondade (Lc 7.37-50) ou na repreensão e na correção do mal (Mt 21.12,13).
(7) “Fé” (gr. pistis), i.e., lealdade constante e inabalável a alguém com quem estamos unidos por promessa, compromisso, fidedignidade e honestidade (Mt 23.23; Rm 3.3; 1Tm 6.12; 2Tm 2.2; 4.7;
Tt 2.10).
(8) “Mansidão” (gr. prautes), i.e., moderação, associada à força e à coragem; descreve alguém que pode irar-se com eqüidade quando for necessário, e também humildemente submeter-se quando for preciso (2Tm 2.25; 1Pe 3.15; para a mansidão de Jesus, cf. Mt 11.29 com 23; Mc 3.5; a de Paulo, cf. 2Co 10.1 com 10.4-6; Gl 1.9; a de Moisés, cf. Nm 12.3 com Êx 32.19,20).
(9) “Temperança” (gr. egkrateia), i.e., o controle ou domínio sobre nossos próprios desejos e paixões, inclusive a fidelidade aos votos conjugais; também a pureza (1Co 7.9; Tt 1.8; 2.5).
O ensino final de Paulo sobre o fruto do Espírito é que não há qualquer restrição quanto ao modo de viver aqui indicado. O crente pode — e realmente deve — praticar essas virtudes continuamente. Nunca haverá uma lei que lhes impeça de viver segundo os princípios aqui descritos.

Estudo extraído da Bíblia de Estudo Pentecostal CPAD.

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Nova Revista Lições Bíblicas do 1º trimestre de 2017.

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Tema: As Obras da Carne e o Fruto do Espírito - Como o crente pode vencer a verdadeira batalha espiritual travada diariamente.

Comentarista: Pr. Osiel Gomes.

Sumário:
Lição 1 - As Obras da Carne e o Fruto do Espírito
Lição 2 - O Propósito do Fruto do Espírito
Lição 3 - O Perigo das Obras da Carne
Lição 4 - Alegria, Fruto do Espírito; Inveja, Hábito da Velha Natureza
Lição 5 - Paz de Deus: Antídoto contra as Inimizades
Lição 6 - Paciência: Evitando as Dissensões
Lição 7 - Benignidade: um Escudo Protetor contra as Porfias
Lição 8 - A Bondade que Confere Vida
Lição 9 - Fidelidade, Firmes na Fé
Lição 10 - Mansidão: Torna o Crente Apto para Evitar Pelejas
Lição 11 - Vivendo de Forma Moderada
Lição 12 - Quem Ama Cumpre plenamente a Lei Divina
Lição 13 - Uma Vida de Frutificação

Estarei Disponibilizando materiais de suporte ao 1º trimestre de 2017,aguardem...
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Lição 12 – Salomão: Sabedoria Divina para tomada de decisões

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O temor do Senhor é o princípio da sabedoria; bom entendimento têm todos os que lhe obedecem; o seu louvor permanece para sempre.
Salmos 111.10

A história de Salomão começa com uma crise de sucessão no trono de Israel. Davi, obteve grandes sucessos como guerreiro de grandes batalhas e de ter expandido as fronteiras da nação israelita. Ao longo do seu reinado, Davi acumulou muitas riquezas, visando ao sonho maior de sua vida que era a construção do Templo em Jerusalém, mas não soube administrar bem sua família. Ao chegar à velhice, o reino estava sem o governo pessoal, motivando a luta pelo trono. Já havia perdido alguns filhos, e entre os que restaram estava Adonias, que era o quarto mais velho dos filhos vivos (2 Sm 3.2,3). Ao inteirar-se de que Salomão era o preferido de Davi para assumir o trono, Adonias não acatou a decisão do pai sobre Salomão.
A diferença entre Adonias e Salomão era o fato de que Adonias era vaidoso, ambicioso e gostava de ostentar pompa, sempre acompanhado de uma escolta de soldados do exército israelita montados em cavalos pomposos. Não tinha sensibilidade espiritual, por isso, resolveu aproveitar-se da enfermidade do seu pai para apoderar-se do trono. Pior ainda foi a atitude de um dos mais fiéis aliados de Davi, o comandante Joabe, que juntamente com Abiatar, que era um dos principais sacerdotes no reino, com medo de perder sua posição de comando, apoiou Adonias na sua intenção. Os dois, Joabe e Abiatar, que tiveram uma vida de lealdade para com o rei Davi, deixaram-se persuadir de que Adonias assumiria o trono e eles estariam bem. Traíram a confiança do velho rei. Davi, então, tomou uma atitude e empossou Salomão no seu trono na presença de todo o povo e dos homens leais da corte do reino. Davi reinou sobre Israel por quarenta anos (1025-985 a.C.). O sonho maior da sua vida desde que assumiu o trono de Israel era de estabelecer um lugar fixo para adorar a Deus e construir uma casa de adoração, um grande Templo. Ao chegar aos 70 anos de idade, Davi ficou enfermo. Essa situação criou algumas dificuldades no seu reino, com familiares e com homens da corte. Em meio ao estado de saúde frágil, Davi foi informado de acontecimentos desagradáveis que estavam produzindo um estado de insegurança no trono de Israel. Então ele entendeu que estava chegando a hora da sucessão, e resolveu indicar o seu sucessor. Contrariando a prática comum da sucessão pelos mais velhos nos reinos do mundo, nenhuma lei impedia que Davi fizesse diferente. Desde Absalão, por não ter a atenção do pai, e depois Adonias, ambos tiveram problemas de relacionamento com o pai e criaram situações de conflito achando-se aptos para assumir o trono, mas Deus mostrou a Davi que ele tinha que tomar uma atitude firme para preservar o seu trono até a sucessão daquele que Deus o havia declarado para sucedê-lo. O profeta Natã, que foi orientador espiritual do reino de Davi, procurou a Bate-Seba orientando-a para que lembrasse a Davi, seu marido, que o homem para sucedê-lo era o seu filho Salomão, e assim o fez (1 Rs 1.11-18).
SALOMÃO É EMPOSSADO REI EM MEIO A CRISES
O personagem dessa história é Salomão. Por isso, é ele que destacamos neste capítulo. A atitude de Salomão, nessa primeira fase de sua vida, agradava ao Senhor, porque parecia ser a pessoa certa para administrar a crise do reino de modo temente a Deus. Era uma crise que atingia não só a corte do reino, mas todo o povo estava afetado pela insegurança daquele momento. Em quem confiar? Como fazer para administrar aquela situação para promover a paz no coração do rei e do povo? No caso de Adonias, sua mente estava voltada para si mesmo e como tirar proveito daquela situação para promover-se com traição e egoísmo. Mas Deus, o Senhor de Israel, estava com o cetro de governo na mão. Davi, seu servo, apesar dos erros cometidos, era alguém segundo o seu coração; por isso, Deus não permitiria que houvesse divisão no reino. Davi sabia que seu sucessor seria alguém capaz de manter o reino e glorificar o nome de Jeová.
0 Declínio do Reinado de Davi
A primeira grande crise enfrentada por Salomão foi o declínio da saúde de Davi e tornar-se incapaz de resolver os problemas internos do reino naqueles dias. Davi parecia ter perdido o vigor para continuar a reinar sobre Israel. Um pouco antes de Salomão assumir o trono de Israel, o reino parecia dividido quanto ao sucessor para o trono porque o rei Davi estava fragilizado por lutas internas no reino. O velho rei ficou fragilizado pela enfermidade e pela vulnerabilidade do seu reino, caindo em situação insustentável na corte e com seus próprios filhos.
A Trama de Adonias, Joabe e Abiatar contra Davi e Salomão
Adonias era, naquele contexto, o filho mais velho da casa de Davi e, aproveitando-se da enfermidade do pai, começou a tramar a sucessão sem consultar o pai, atraindo pessoas da corte para apoiá-lo. Se trouxermos essa experiência do reino de Israel e a situação do rei Davi, enfermo e enfraquecido no seu reino, para o contexto da igreja de Cristo hoje, ficaremos assustados com o que acontece. Líderes que envelhecem e perdem a força de governo na igreja acabam criando situações de conflito para a sucessão pastoral. Nossos líderes, às vezes, perdem a noção do seu papel na igreja, e pessoas com intenção egoísticas formam grupos que traem a confiança pastoral gerando mal-estar no seio da igreja. Que o Senhor nos guarde dessas atitudes e que nossos líderes saibam o tempo de passar o bastão para outro pastor.
No declínio momentâneo da realeza, o rei se tornou alvo de traição, mentira e ambição. Adonias sentia-se com direito ao trono e entendeu que o mesmo pertencia a ele por direito. Uma vez que seu pai, o rei Davi, estava enfermo e sem condições de tomar decisões sobre o reino, Adonias achava que deveria assumir de imediato. O problema não era, apenas, a sucessão, mas o oportunismo de um momento frágil do governo do seu pai, em que Adonias imaginava que o grande guerreiro não estivesse lúcido o suficiente para decidir a sucessão. Ele, então, tomaria a iniciativa, independentemente do conhecimento do pai, e assumiria o trono. Era, na verdade, a tentativa de um golpe político que ele armou, procurando conquistar a confiança de líderes do povo, para assumir o trono. Na mente de Deus, o seu desígnio estava estabelecido, e nada mudaria o plano para o futuro de Israel. Mesmo que não entendamos, às vezes, a lógica divina nessas situações, devemos saber e reconhecer que Deus é perfeito em seus pensamentos e o que pensa está acima dos nossos pensamentos e julgamentos.
Davi Entendeu a Vontade de Deus para a Sucessão do seu Trono
Ao ser alertado sobre a trama que estava sendo feita por Adonias, o rei Davi levantou-se do leito de enfermidade e começou a agir. Bom é quando um servo de Deus na liderança se conscientiza do tempo do seu trabalho. Lamentavelmente, muitos líderes se assenhoram do poder e perdem a noção do tempo de Deus em suas vidas e ministérios. De pé e disposto a fazer o que não poderia deixar para depois, Davi chegou à compreensão de que o seu tempo havia chegado ao fim e que era o momento de outro líder assumir o trono. Davi, certamente, teve tempo para refletir sobre tudo o que estava acontecendo e, por isso, tão logo teve conhecimento dos problemas que estavam acontecendo, tomou a iniciativa para entronizar seu filho Salomão no trono de Israel. Davi estava consciente de que não construiria o Templo, mas o seu filho haveria de construí-lo. Durante anos Davi fez tudo quanto pôde para realizar o sonho maior do seu reino, e juntou muito material de construção para a realização do sonho (1 Cr 22.1-5). Davi sabia que Deus não permitiu que Ele realizasse a obra da construção do Templo em Jerusalém porque durante toda a sua vida ele fora um homem de guerra (1 Cr 22.8), mas Deus lhe garantiu que o seu filho Salomão haveria de construir o grande Templo.
Salomão tinha uma índole diferente e não seria homem de guerra, mas seria um homem pacífico, inteligente e conciliador, sendo fiel aos conselhos do pai e com a consciência de ser o homem designado por Deus para construir o grande Templo (1 Cr 22.9,10).
Salomão Foi Conduzido ao Trono de Israel
O rei Davi, confiante na direção de Deus, não titubeou na ação de conduzir Salomão a assentar-se no trono de Israel e proclamá-lo rei de Israel. Diz o relato histórico dessa posse que “Salomão se assentou no trono de Davi, seu pai, e o seu reino se fortificou sobremaneira” (1 Rs 2.12). Davi ainda estava vivo quando deu posse ao trono para Salomão, mas Adonias, ainda insatisfeito, esqueceu-se da salvação que recebera um pouco antes, e tramou algumas situações para tomar o trono de Salomão, porque se achava com direito ao trono e sentia-se traído por seu pai. Então ele aliciou pessoas em todo o reino para o seguirem e fazerem frente a Davi e Salomão. Adonias tramou algumas situações para ganhar o coração e o apoio do povo, aproveitando-se da fragilidade do pai doente. Com astúcia, Adonias conseguiu o apoio de Joabe, o grande general dos exércitos de Israel, e de Abiatar, que era o sumo sacerdote, bem como de Simei, os quais se uniram em apoio à conspiração de Adonias. Em sua cruzada contra Davi e Salomão, Adonias organizou uma grande festa, típica para uma coroação, e fez um grande banquete fora dos muros da cidade para não chamar a atenção. Mas a tentativa de golpe de Adonias foi fracassada e os seus seguidores espalharam-se. Adonias teve que reconhecer que Salomão era o rei e ele deveria submeter-se ao seu reinado. Com medo de ser morto, Adonias, para salvar-se, segurou-se nas pontas do altar da Arca do Concerto (1 Rs 1.49-53). Salomão, que não era sanguinário, ordenou que tirassem a Adonias do lugar onde estava o altar e ordenou que não tocassem em nenhum fim de cabelo de seu irmão.
Adonias Agarrou-se às Pontas do Altar para não Ser Morto
Quando Salomão assumiu o trono, seu pai ainda estava vivo. Adonias, sentindo-se rejeitado e sem entender a direção de Deus, continuou a conspirar contra Salomão. Por causa da sua traição, ele poderia ser morto. Mas, apavorado com a possibilidade de morrer, correu para o Santuário e, chegando lá, “agarrou-se às pontas do altar”, lugar dos sacrifícios a Deus. Era um lugar em que ninguém ousaria cometer uma violência. Por isso, Adonias “pegou das pontas do altar”.
Mas que altar era esse? No Tabernáculo de Israel, havia dois altares apenas. O primeiro ficava no pátio do Tabernáculo, entre a porta de entrada e a porta do Tabernáculo. O primeiro era o altar de sacrifícios e o segundo era o altar de incenso, que ficava no Lugar Santo, espaço para o candelabro (candeeiro, castiçal) e a mesa dos pães da proposição. O altar, que tinha quatro pontas (ou chifres) e era feito com madeira de cetim e coberto com cobre, ficava no pátio onde eram feitos os sacrifícios. Foi nas pontas desse altar que Adonias, no desespero para não morrer, agarrou-se. A simbologia desse altar é a misericórdia e a justiça de Deus. O texto da Bíblia na versão Almeida Revista e Corrigida diz que Adonias foi “e pegou das pontas do altar” (1 Rs 1.50) e assim sua vida foi salva da morte. Adonias tornou-se reincidente na sua ambição pelo trono, mesmo tendo sido liberto da morte ao “agarrar-se nas pontas do altar”. Logo em seguida, continuou conspirando contra Salomão e acabou sendo morto (1 Rs 2.25) e não escapou da traição que fizera Joabe (1 Rs 2.31).
SALOMÃO SUBMETE-SE A DEUS PARA REINAR
Dos quatro filhos que Davi teve em Jerusalém, Salomão foi o quarto filho. Do primeiro filho de Bate-Seba, o rei pagou um preço caríssimo pelo seu pecado, mas Deus o perdoou, mesmo que aquele filho não tenha sobrevivido. Quando nasceu esse segundo filho de Bate-Seba, Davi o chamou Salomão, e diz o texto que “O Senhor o amou” (2 Sm 5.14). Porém, Natã, o profeta, o chamou Jedidias, cujo significado era “amado do Senhor”. Prevaleceu o nome que Davi lhe dera: Salomão (2 Sm 12.24,25).
Nos desígnios divinos, Salomão se tornou o homem que Deus elegeu para ser o futuro rei no lugar de Davi, seu pai. Quando Salomão foi empossado no trono, o reino era grande e forte, porque Davi fez prosperar o reino, ainda que o estilo de governo tenha sido um tanto doméstico, porque ele manteve o modelo patriarcal da vida do povo. Porém, quando Salomão assumiu o reino, estabeleceu um modelo de estado, que passou a ser respeitado pelas nações ao seu redor. 
Ao assumir o reino, Salomão teve a humildade de respeitar a liderança de Davi, ouvindo-lhe sobre o modo de administrar a nação e manter-se fiel ao Senhor de Israel.
Salomão Recebe Conselhos de seu Pai
Antes de sua morte, o velho rei Davi convocou seu filho Salomão para aconselhá-lo e orientá-lo sobre o reino. Não queria que seu filho cometesse os mesmos erros cometidos durante seu reinado. Apesar de algumas fraquezas, Davi não deixou de ser “o homem segundo o coração de Deus”. Ele estava seguro da vontade soberana de Deus naquela transição e sucessão para seu filho Salomão. Por isso, seus últimos conselhos foram fortes, quando instou com Salomão para que fosse fiel e obediente a Deus para dirigir os destinos do seu reinado com prudência e sabedoria. Logo a seguir, Davi morre depois de 40 anos de um reinado de grandes conquistas para Israel, e Salomão dá continuidade a um reinado de prosperidade e bênçãos de Deus.
Salomão Aprendeu a Amar a Deus e Depender dEle
Depois do sepultamento do pai, Salomão buscou ao Senhor para reinar em Israel. O texto bíblico diz que Salomão amava a Deus e, por isso, consciente de sua inexperiência, foi a um dos montes altos chamado Gibeão, onde ficava, também, a Arca da Aliança, para oferecer holocaustos a Deus e receber dEle a sabedoria de que precisava (1 Rs 3.4). Foi no monte Gibeão, numa das noites de preocupação com o reino e como administrá-lo, que Deus falou com Salomão em sonhos. Foi um verdadeiro encontro com Deus. Nesse sonho, Salomão ouviu tudo o que precisava saber, porque o sonho foi um modo especial de Deus falar ele e o novo rei abriu o coração para Deus em oração. Em sua oração, Salomão pediu a Deus sabedoria para poder reinar sobre o povo de Israel. Essa atitude humilde de Salomão agradou a Deus, que se dispôs a fazer muito mais do que o rei estava pedindo. Deus lhe disse: “Pede o que quiseres que te dê” (1 Rs 3.5). O jovem rei, obediente aos conselhos do pai, entendeu que não conseguiria reinar com segurança sem obter sabedoria para saber reinar. 
Salomão Teve o Cuidado Inicial de Honrar o Desejo do Rei Davi
O seu pedido por sabedoria para saber reinar sobre o povo de Israel agradou a Deus, e Salomão partiu não somente para administrar os assuntos da corte, mas para realizar o sonho de seu pai. Uma das primeiras ações de Salomão foi a de absorver o sonho de Davi, seu pai, que era a construção do grande Templo em Jerusalém (1 Rs 3.2-4).
O desejo de Davi era juntar o povo de Israel num só lugar para adorar a Deus. Davi não somente juntou os materiais de construção do grande Templo de Deus, mas visualizou o futuro planejando toda a liturgia que seria realizada no grande Templo. Essa liturgia envolvia o trabalho sacerdotal, o serviço diário dos levitas, as bandas e corais de música e cada coisa própria do Tabernáculo. Portanto, toda a liturgia da vida religiosa de Israel foi organizada e os planos foram entregues a Salomão. A necessidade de congregar o povo num só lugar e a dificuldade do povo e do próprio rei para subir para os montes, especialmente em Gibeão, para sacrificar ao Senhor (1 Rs 3.3,4) fez com que Salomão partisse para a ação. Essa dificuldade vinha desde os tempos anárquicos dos juízes. Por isso, construir uma casa para Deus em lugar fixo era uma necessidade de todo o povo, além de manter a união das famílias e fortalecer o reino de Israel. Esse sonho planejado por Davi foi confiado a Salomão para a sua realização.
Salomão Foi Humilde ao Pedir a Deus Sabedoria para Saber Governar
Todo e qualquer líder da obra de Deus precisa sempre reconhecer que os assuntos cotidianos da vida do povo de Deus precisam ser tratados com graça e sabedoria. Ao assumir o trono de Davi, o jovem rei Salomão sentiu o peso da responsabilidade e, por isso, ao orar a Deus, não pediu riquezas materiais, ou qualquer outra coisa que lhe trouxesse apenas vantagens pessoais. Ele foi humilde diante de Deus e “se considerou menino” para tão grande responsabilidade. Ele pediu sabedoria para saber discernir as várias situações sociais, políticas e espirituais que estariam presentes no seu reino. Ele tinha um espírito reto e, por isso, queria agir com justiça em todas as causas. Em vez da espada, o diálogo e o bom senso. Essa atitude sincera agradou a Deus, confirmada pelo texto bíblico que diz: “E esta palavra pareceu boa aos olhos do Senhor, que Salomão pedisse esta coisa” (1 Rs 3.10). Aprendemos que é bom obter sabedoria e ciência, mas todo conhecimento que pudermos obter no mundo dos homens não é superior à “sabedoria do alto”, porque a sabedoria do alto implica um fluir do Espírito na mente daquele que a usa para glória de Deus.
SALOMÃO DEMONSTRA SUA SABEDORIA PARA EDIFICAR 0 TEMPLO
Israel era, até então, uma nação isolada que pouco se comunicava com as nações próximas. A ideia de ser um povo exclusivo de Deus também desenvolveu uma cultura de exclusivismo, para não correr o risco de influências pagãs no seio do povo de Deus. Mas Salomão, diferentemente do seu pai, entendeu que Israel poderia ser uma nação líder no Médio Oriente, mantendo uma relação amistosa de política e comércio com as mesmas. Naturalmente, ele, com inteligência, fortaleceu seus exércitos e fez das cidades de Israel verdadeiras fortalezas. Todas as rotas de comércio eram bem protegidas e as fronteiras muito bem guarnecidas pelos seus exércitos.
Salomão Usa sua Sabedoria no Trato com as Nações Adjacentes
Em vez de fazer guerras com as nações adjacentes a Israel para conquistar espaço e riqueza como fazia seu pai Davi, Salomão usou de sua sabedoria para abrir o espaço ao diálogo com as nações vizinhas. Como ele precisava de materiais para construir o grande Templo de Jeová, fez acordos políticos de comércio com vários reis das nações adjacentes a Israel. Fez isso com o rei Flirão, na Fenícia, para obter deles a cooperação de matéria-prima, como cedro e pedra especial. A proposta de cooperação entre Salomão e Hirão teria a reciprocidade comercial. O cedro do Líbano era madeira cobiçada pelos reis de todas as nações, e Salomão conseguiu convencer essas nações e seus reis a manter uma relação de paz entre os reinos. Salomão negociou com Hirão uma forma de pagamento justo. As madeiras desejadas eram cedro e faia, ou seja, provavelmente significa cipreste (1 Rs 5.6,8)- Os dois reis, Salomão e Hirão, puseram trabalhadores profissionais em corte de madeira e de pedras para os trabalhos artísticos. Essa relação foi positiva para ambos e demonstra o dedo de Deus orientando a preparação para a grande construção. Precisamos, em nossos tempos modernos, de homens tementes a Deus que saibam defender os interesses do Senhor na vida política, na igreja.
0 Legado Material de Davi para a Construção do Templo
Durante muitos anos, o rei Davi teve o cuidado de acumular muitas riquezas com o objetivo de construir o grande Templo. Nas suas guerras, Davi, pelos direitos internacionais, tomava os despojos das guerras em ouro, prata, cobre, bronze e pedras preciosas e os trazia para Jerusalém (1 Cr 22.14). Essa riqueza acumulada por Davi chegou a totalizar 3.400 toneladas de ouro, 34.000 toneladas de prata e uma grande quantidade de bronze, ferro, madeira e pedras. Juntou muitas pedras preciosas.
Antes de morrer, ao passar o trono para Salomão, Davi entregou toda essa riqueza acumulada de forma pública a Salomão. Davi fez mais, acrescentou seu tesouro pessoal aos materiais acumulados e estimulou os líderes de Israel a contribuírem para o mesmo propósito (1 Cr 29.1-10).
Salomão Construiu o Templo de Deus em Jerusalém
Com as plantas arquitetônicas do Templo entregues por Davi a Salomão, do modo como o Senhor lhe dera (1 Cr 28), Salomão partiu para a ação. Fez a requisição de trabalhadores para a obra da construção e todo o Israel se dispôs a fazer o melhor, porque estava feliz com o reino de Salomão. O que é mais importante acerca de um Templo para servir a Deus é o encontro do povo num lugar fixo para adorá-lo e ter a certeza de que Ele estará presente. Salomão escolheu um lugar que ficava localizado no monte Moriá, que era um lugar onde Davi havia erigido um altar ao Senhor para que cessassem as pragas sobre a terra (2 Sm 24.16-25; 1 Cr 21.15-25). Esse lugar no monte Moriá é, possivelmente, o mesmo lugar onde Abraão tinha oferecido seu filho Isaque em sacrifício (2 Cr 3.1; Gn 22.2). Durante sete anos, com os materiais existentes, Salomão construiu o Templo. O projeto arquitetônico do santuário obedeceu ao princípio e modelo que Deus dera a Moisés para o Tabernáculo. A partir da existência do Templo, o centro da adoração ao Senhor seria fixado em Jerusalém e todas as 12 tribos de Israel viriam a Jerusalém para adorar ao Senhor e oferecer seus sacrifícios.
O Poder da Presença da Arca do Concerto na Vida de Israel
Salomão sabia, por experiência, que a coisa mais importante no Templo seria a presença da Arca da Aliança, aquela Arca feita no tempo de Moisés, que estava no monte Gibão e deveria ser trazida para Jerusalém e ser colocada no Santuário construído, o Lugar Santíssimo. Salomão sabia que a presença da Arca produzia grande gozo no coração do povo. Era o símbolo seguro da presença de Deus. A ausência da Arca significaria derrota espiritual e a não presença de Deus no meio do povo. Em experiência ruim no passado, os filisteus levaram a Arca do Senhor para o templo de Dagon (1 Sm 4.17). A mulher de Finéias, sacerdote em Israel e filho de Eli, estava grávida de um filho e ao ter noticias da morte de seu marido e de terem os filisteus levado a Arca para Asdode, cidade dos filisteus, a mulher de Finéias encurvou-se e deu a luz o filho, o qual chamou-lhe: ICABO, que significa em hebraico: “Foi-se a glória de Deus” (1 Sm 4.19-22). Isto aconteceu, aproximadamente, em 1094 a.C. Entretanto, em 982 a.C., mais de cem anos depois, a situação é outra. A Arca da Aliança havia voltado para o povo de Israel e, com o lugar fixo em Jerusalém, não ficaria mais em lugares provisórios, como em Tabernáculos, mas ficaria no templo construído ao Senhor em Jerusalém, trazendo muita alegria para todos. Na igreja não precisamos de uma Arca, nem de qualquer objeto material para sinalizar a presença de Deus. O Espirito Santo preenche plenamente com sua presença na igreja.
0 Grande Templo É Inaugurado com a Presença da Glória de Deus
Salomão convocou todos os chefes das tribos de Israel e todos os homens e mulheres da corte para o ato inaugural do grande Templo. Todos os utensílios da Casa do Senhor foram trazidos para os devidos locais no Templo, inclusive a Arca da Aliança. Depois de colocada no Lugar Santíssimo, os sacerdotes ofereciam no altar de sacrifícios no pátio do Templo cordeiros e bezerros como oferta de holocausto a Deus em gratidão à grande bênção do Templo.
O Templo não seria apenas um grande edifício, mas seria a Casa de Deus, onde a sua presença seria marcada pela simbologia da Arca da Aliança. Ao ministrarem diante da Arca da Aliança, a glória de Deus desceu sobre aquele lugar na forma de uma nuvem especial que fez todos tremerem mediante a presença inequívoca de Deus. Antes, um pouco, da manifestação gloriosa de Jeová sobre aquele lugar, Salomão trouxe à lembrança toda a história do sonho de seu pai, o rei Davi. O Senhor confirmou sua presença com a glória da nuvem que encheu toda a Casa do Senhor (1 Rs 8.10) e os sacerdotes não podiam manter-se em pé para ministrar por causa da glória de Deus naquele lugar (1 Rs 8.20). Salomão orou a Deus diante do altar do Senhor e intercedeu pelo povo e pela paz e justiça. Depois abençoou o povo, que ofereceu sacrifícios perante a face do Senhor (1 Rs 8.62-64).
SALOMÃO, VENCIDO PELA ARROGÂNCIA
Salomão começou com humildade e dependência de Deus, mas o sucesso de seu reino e a admiração dos reinos adjacentes o fez perder a visão de Deus e a auto depender de sua inteligência. O cuidado que deveria ter em não fazer alianças que trouxessem maus costumes e idolatria para o meio do povo foi abandonado por Salomão. Para obter lucro com as outras nações, ele começou a fazer alianças e trazer para o seu harém muitas mulheres estrangeiras. No capítulo 9 (1 Reis), Deus fez várias advertências quanto à obediência à sua Palavra, tanto para o povo quanto para o rei. Salomão se deixou influenciar por pessoas nas alianças políticas que fez com várias nações. Para tanto, fez do casamento com mulheres desses reinos a ferramenta diplomática para obter concessões. Naquele tempo, os povos de cidades-estado, tribos ou nações faziam alianças e selavam essas alianças políticas dando em casamento uma filha, ou um filho para efetivarem alguma aliança. Salomão perdeu o senso de servo de Deus para os interesses do seu povo e teve muitos casamentos (1 Rs 11.2). Esses casamentos mistos trouxeram para dentro do palácio de Salomão muitos costumes estranhos aos princípios morais e éticos do povo de Israel, além de induzirem Salomão à idolatria e à libertinagem.
Dominado pelo espírito sensual, as muitas esposas e concubinas em seu harém perverteram o seu coração, e Salomão passou a fazer tudo o que elas desejavam. Porém, o pior de tudo isso foi a perversão do seu coração para outros deuses, que o levaram a oferecer sacrifícios e cultos a deuses como Moloque, Milcom e Astarote, permitindo que se fizessem altares a esses deuses (1 Rs 11.5-7). Quando o homem perde o domínio do Espírito na sua vida, torna-se presa fácil do pecado. A apostasia de Salomão o fez se esquecer da fidelidade de seu pai ao Deus de Israel. Mesmo tendo conhecido a misericórdia divina para com a sua vida e ter sido abençoado em seu reino, Salomão perdeu-se ao final de sua vida. Ele não soube se manter fiel ao Senhor. Mas a ira de Deus contra Salomão foi o seu esquecimento das vezes que em que se revelara a ele de modo especial. Por causa do seu pecado de abandono ao Senhor, seu reino, depois de 40 anos, começaria a ruir. Seus filhos o sucederam e não foram melhores que ele. Os adversários perceberam o enfraquecimento do reino de Salomão, e não demorou muito tempo para que invadissem a terra de Deus e fizessem de Israel escravo de outros reis. Logo depois da morte de Salomão, o reino foi invadido e saqueado de suas riquezas. Em 1 Reis 11.41-43 temos o relato da morte de Salomão, que acabou vencido por sua displicência espiritual.
CONCLUSÃO
A lição maior que aprendemos com Salomão é o fato de que não basta começarmos bem, mas precisamos terminar bem. Salomão ignorou as advertências de Deus e não soube guardar a palavra de Deus em seu coração, antes se deixou perverter por uma vida libertina. As consequências seriam inevitáveis. Salomão não soube, ao final de sua vida, manter sua fidelidade aos ditames de Deus. Por isso, para que a glória de Deus seja mantida na nossa vida, devemos corresponder à expectativa divina, sendo fiéis ao Senhor. A superação de crises morais e espirituais é efetivada quando mantemos nossa adoração e fidelidade ao Senhor.
O sábio não é aquele que sabe mais do que os outros; é aquele que descobre em Deus a fonte da sabedoria. 

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Lição 11 – Ester: O socorro de Deus para livrar o seu povo

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[...] e quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino?
 Ester 4.14

Dos livros da Bíblia, Ester e Cantares são dois livros que se distinguem por evitar usar o nome de Deus, não ensinar a Lei de Moisés, nem destacar a religiosidade israelita. Mas a razão principal que fez com que o livro de Ester fosse reconhecido no Cânon das Escrituras foi o fato de revelar o cuidado divino com o povo de Israel em meio à hostilidade, estando exilado de sua terra. Matthew Henry escreveu acerca desse livro que “se o nome de Deus não aparece no livro, o dedo de Deus estava lá”, de modo invisível, orientando a vida do povo de Deus.
É uma história em que se percebe a presença de Deus de modo inescrutável e invisível nos seus elementos circunstanciais, destacando, em especial, dois personagens importantes, Mardoqueu e Ester. Temos uma história delineada pela providência divina. Não há determinismo nos ingredientes da história, mas percebe-se a soberania de Deus fazendo valer seus desígnios. Todos os fatos que envolvem pactos e alianças de Deus com o seu povo são cumpridos com aqueles que o servem.
Nessa história, podemos observar as operações invisíveis de Deus delineando todos os fatos que envolvem o povo de Deus em terra estranha, sofrendo toda sorte de perseguição e rejeição no lugar em que habitavam e os personagens da história. Além de Mardoqueu (ou Mordecai) e Ester,outros três personagens fazem parte de todo o enredo da história, que sá°: o rei Assuero (ou Xerxes I), a rainha Vasti e Hamá, o oficial da corte do reino de Assuero (Et 1.1,9; 2.5,6; 3.1).
Desde a divisão de Israel em dois reinos — o de Israel, chamado Reino do Norte, e o de Judá, chamado Reino do Sul —, os seus reis, com pouca exceção, não foram fieis a Deus e, por isso, tiveram que arcar com as consequências graves e trágicas na vida do povo de Deus. Os exércitos da Assíria entraram em suas terras, subjugando os dois reinos ao domínio persa. Os judeus exilados tornaram-se subservientes dos persas. Em 485 a.C., o Império Medo-Persa era forte e, nesse período, os exilados judeus serviam aos interesses persas com trabalho forçado, escravidão e muito sofrimento das famílias. Nesse tempo do domínio de Assuero (Xerxes I) entra a história de Ester como uma prova de que Deus não havia se esquecido do seu povo. Ora, o povo de Israel tinha consciência de sua eleição para representar os interesses de Deus entre as nações e que aquela situação momentânea era consequência dos pecados de seus lideres. Por isso, estavam exilados e longe da sua terra.
Ao longo da história, o povo de Israel tem sofrido com a tentativa de exterminação, porque Satanás odeia esse povo e quer destruí-lo. Então, por desígnio de Deus, entra no cenário dessa circunstância uma jovem temente a Deus que se torna o elemento-chave da libertação do seu povo no reino da Pérsia. A jovem Hadassa, criada por seu tio Mardoqueu, também chamada Ester, entra na cena que Deus armou para que seus desígnios fossem concretizados. Ester, entre as moças do palácio, alcançou graça perante o rei e foi constituída rainha da Pérsia, no lugar de Vasti. Não imaginava ela que seu papel dentro do palácio real de Assuero seria o salvar todo o seu povo do extermínio tramado por Hamã e conquistar espaço dentro do império para se defender e servir ao seu Deus.
A PROVIDÊNCIA INVISÍVEL DE DEUS
Existe uma palavra profética de Mardoqueu para Ester que revela a providência divina no cenário daquela história que se iniciava com uma simples jovem do povo judeu. A palavra aconteceu quando uma trama contra o povo de Deus foi armada por Hamã, oficial da corte do rei Assuero. Mardoqueu, tendo notícias da trama, preparou Ester para ser o elo de Deus para salvação do seu povo, e disse-lhe: Não imagines, em teu ânimo, que escaparás na casa do rei, mais do que todos os outros judeus. Porque, se de todo te calares neste tempo, socorro e livramento doutra parte virá para os judeus, mas tu e a casa de teu pai perecereis; e quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino?” (Et 4.14). Indiscutivelmente, o dedo de Deus delineia a história do seu povo.
Como Ver o Dedo de Deus como Providência nessa História?
A expressão “dedo de Deus” encontrada na Bíblia em algumas circunstâncias especiais é uma metáfora antropomórfica que atribui a Deus coisas, figuras e órgãos humanos, como coração, mãos, pés, olhos, ouvidos, que representem ações de Deus. Deus é Espírito, e qualquer figura humana em relação a Deus tem sentido de revelação de um Deus que é Pessoa e fala conosco. Em relação à história do livro de Ester, o dedo de Deus é uma figura invisível da providência divina. A palavra “providência” vem do latim providentia, e o prefixo “pro” significa “antes” ou “antecipadamente”, mas o sufixo da palavra, videntia, deriva de videre, que significa ver. Quando nos referimos a Deus, sua providência diz respeito ao que Ele faz e vê antecipadamente. É o que Deus vê, e Ele vê todos os incidentes da vida antes que ocorram, algo que humanamente não podemos fazer (SI 139.1-14).
Nesse sentido, constatamos que os incidentes históricos naqueles dias dentro do Império Persa foram delineados e orientados pelo dedo de Deus dirigindo cada circunstância. Por esse modo invisível e providencial, o Senhor colocou a jovem Ester dentro do palácio de Assuero para que o seu povo fosse salvo da destruição. Comprova-se esse fato pelo que Deus disse a Isaías, o profeta: “[...] os meus pensamentos [são] mais altos do que os vossos pensamentos” (Is 55.9).
A Festa de 180 Dias de Assuero
O domínio do Império Persa sob o reinado de Assuero continha 127 províncias. O território persa se estendia desde o vale do Indo, no noroeste da índia, o norte da África, incluindo Egito, Líbia e Cus (hoje, Sudão). Porém, as guerras com a Grécia trouxeram desgaste físico, emocional e económico para o império. Em vez de novos tributos e a ampliação comercial com outros países, essas guerras se tornaram pesadas para a economia do império. Esse tempo datava o tempo do governo de Xerxes I (Assuero) no Império Persa, nos anos 486 a 465 a.C. Seu pai foi Dario, o Grande, e sua mãe chamava-se Atosa, filha de Ciro. Assuero herdou um enorme império, mas não conseguiu estender suas fronteiras como objeto da vaidade dos reis daquela época.
Assuero resolveu reunir aos príncipes, sátrapas e nobres da Pérsia para um tipo de convenção de 180 dias (seis meses) na capital de Susã (Et 1.3,4). Essa reunião ocorreu em 483 a.C., que tinha como estratégia o planejamento de guerras para conquista de outras nações. Confiado em suas forças militares, Assuero entendia que sairia vitorioso. Dentro desse período, Assuero mandou preparar uma festa especial, com uma celebração esplêndida (Et 1.6,7).
Na mente de Deus, a festa promovida por Assuero já estava nos seus desígnios e nada poderia impedir a sua concretização. O rei Assuero era vaidoso, e querendo ostentar sua glória, poder e riqueza a todos os súditos do império, ordenou que se fizesse uma festa com muita comida e bebida, além das danças e orgias que se permitiam nos salões do palácio de Susã. As 127 províncias tributárias ao seu reino estavam representadas nessa festa. Assuero exibia seu ouro, prata e pedras preciosas nas joias do palácio, nas pratarias e decorações internas do palácio.

A Exibição Imperial que Provocou a Saída da Rainha Vasti do Palácio
Por mais que não entendamos os desígnios de Deus em algumas circunstancias, temos que reconhecer que a mão invisível do Deus onisciente estava operando de modo oculto aos olhos humanos. Aquela festa havia chegado a um ponto de total extravagância em comidas e bebidas, deixando todos aqueles homens da corte completamente irracionais. Nesse contexto de exibicionismo e ostentação de Assuero, em que o vinho fez com que o rei ultrapassasse os limites de domínio racional daquela festa, pelo ímpeto da vaidade e do exagero do vinho, o rei ordenou que se chamasse Vasti, a rainha, para apresentá-la aos seus convidados, como se fosse uma peça de decoração. A rainha Vasti, contrariando a ordem do rei, recusou-se a comparecer diante dele e da corte, o que representou humilhação para o rei. Por isso, a punição foi severa para Vasti, que era uma mulher de personalidade forte e que não aceitava ser exposta ao ridículo pelo seu próprio marido.
A Deposição da Rainha Vasti
Mediante a recusa de Vasti em comparecer ante os convidados de Assuero para exibi-la como se fosse uma peça de decoração, o rei ficou furioso com a recusa. Sentindo humilhado e não querendo perder a autoridade real, Assuero a depôs de sua realeza. Ele não aceitava a desobediência de sua mulher e, por medo de abrir outro precedente, Assuero teve uma atitude irracional e violenta, típico de sua personalidade arrogante. Como soberano do império, Assuero era exaltado e orgulhoso, e sua autoridade seria questionada naquela festa se alguém lhe desobedecesse.
Ao depor Vasti do palácio, queria que ficasse bem claro a todos os palacianos que nada, ninguém, nem a rainha, podia recusar uma ordem real sem sofrer as consequências. Portanto, a recusa da rainha Vasti em comparecer vestida com sua realeza para ser exibida perante a corte custou a sua destituição. Era o terceiro ano do reinado de Assuero quando aconteceu a festa. Os seus convidados de todas as províncias tributárias do império assistiram à humilhação de Assuero, mas viram com seus olhos o poder que tinha para fazer valer suas ordens. Esses fatos contribuíram para que o propósito de Deus fosse realizado na vida do seu povo cativo naquela terra.
SOB O DESÍGNIO DE DEUS,
ESTER ENTRA NO PALÁCIO DE ASSUERO

Segundo o historiador judeu Josefo, do primeiro século da Era Cristã, depois que os servos mais leais ao rei sugeriram que ele escolhesse uma das moças do seu harém no palácio para ocupar o lugar de Vasti, foram selecionadas 400 moças virgens como candidatas ao trono de rainha junto a Assuero. Depois de todos os preparativos necessários, em termos de estética e beleza, as moças seriam apresentadas individualmente perante Assuero. Todas as que estavam no palácio e faziam parte do harém do rei teriam a oportunidade de conquistar seu coração, e uma delas seria elevada a posição de rainha (Et 2.14). Foi assim que Deus preparou Ester para ser a moça que conquistaria o coração do rei e seria elevada à posição de rainha.

Ester Foi Designada por Deus para o Lugar de Vasti
Entre a deposição de Vasti e a chegada de Ester ao palácio, passaram- -se quatro anos aproximadamente. Logo depois daquela festa, Assuero empreendeu uma guerra contra a Grécia e todos os planos elaborados não deram certo. Dois anos depois ele volta a Susã, completamente decepcionado porque a guerra não foi vencedora. Ao voltar para o palácio, Assuero estava só e o trono de rainha ao seu lado estava vazio. Passado algum tempo depois daquele banquete e depois da volta da guerra frustrada contra a Grécia, alguns servos de Assuero que o serviam junto ao trono sugeriram que se buscassem moças virgens e formosas à vista, que reunissem qualidades que conquistassem o coração do rei e, quem sabe, fosse escolhida pelo rei uma delas para assumir o trono de rainha. Comissários em todas as províncias trouxeram muitas moças bonitas e virgens para o palácio de Susã para que ficassem sob os cuidados do seu eunuco Hegai, que era guarda das mulheres. Entre todas as moças levadas para o palácio, foi levada a jovem judia Ester, que ganhou a simpatia do eunuco do rei (Et 2.9). Não há dúvidas de que Ester fazia parte do desígnio de Deus para ajudar o seu povo, mas nem ela podia imaginar isso.
Dois Personagens no Projeto de Deus: Mardoqueu e Ester
Nessa história, podemos perceber como Deus age e direciona todas as coisas para que a sua soberana vontade se concretize. Dos dois personagens, Mardoqueu era um judeu exilado que estava com outros deportados de Jerusalém para a cidade de Susã, a capital persa. Mardoqueu não estava só, mas trazia além de sua família a Hadassa (Ester), de quem era tio e, desde pequena, com a morte de seus pais, adotou-a e cuidou dela como se fosse sua filha. No livro com seu próprio nome, Ester é a personagem principal da história. De algum modo especial, o Deus de Israel direcionou sua vida para que ela se tornasse a grande libertadora do seu povo. Como era jovem e inexperiente, seu tio Mardoqueu foi o orientador pessoal de Ester naqueles episódios que a levaram ao palácio de Assuero. Portanto, Mardoqueu era um homem temente a Deus e estava entre os cativos judeus que serviam aos interesses do império em Susã.
Quem era Mardoqueu?
Sem dúvida, era um homem de fé e de profunda piedade espiritual. Era um sonhador que sonhava com a libertação da sua gente. Ele cria que Deus faria algo que fosse capaz de romper com os obstáculos que impediam essa libertação. Ele sabia, acima de tudo, que quaisquer tentativas meramente humanas seriam impossíveis. Ele sabia, também, que a escravatura de seu povo seria desfeita mediante a interferência de Deus. Mardoqueu era um homem que não recuava em seus propósitos ainda que lhe custasse a vida (Et 4.1,2). Ele tinha certa liberdade de movimentos porque, mesmo sendo um escravo judeu, ele podia estar nas cercanias do palácio de Assuero.
Mardoqueu Frustra um Plano de assassinato de Assuero
Não muito depois da coroação de Ester como rainha do império, Mardoqueu estava junto à porta de entrada do palácio de Assuero quando ouviu a conversa de dois eunucos do rei, os quais, revoltados com a deposição de Vasti, tramavam o assassinato do rei. Esses dois eunucos eram oficiais que serviam na guarda da porta de acesso para o rei (Et 2.21). Seus nomes eram Bigtã e Teres. Eles conspiravam contra a vida do rei. Mardoqueu, ao ouvir a trama, resolve frustrar o plano sinistro contra a vida de Assuero e falou com Ester, pedindo-lhe que fizesse o rei saber da trama em nome dele, de Mardoqueu (Et 2.22). Visto que esses oficiais tinham acesso aos aposentos íntimos de Assuero, Mardoqueu não perdeu tempo em informar Ester da trama. Ela, então, sem perder tempo, informou ao rei a trama de assassinato contra a sua vida. Quando alguém do seu reino demonstrava alguma atitude de lealdade, o rei gostava de honrar essa pessoa. Ester contou ao rei que a informação vinha de Mardoqueu. Essa atitude de lealdade de Mardoqueu lhe deu condições de ser alguém mais presente no palácio e no acesso a sua sobrinha Ester. Tão logo o rei tomou ciência da trama, ordenou o enforcamento de Bigtã e Teres (Et 2.23). Cresceu ainda mais o amor do rei por Ester, contribuindo para que, a seu tempo, o propósito divino fosse concretizado na vida do povo de Israel.
Ester, uma jovem graciosa que correspondeu à expectativa de Deus
Seu nome hebreu era Hadassa, que passou a ser chamada Ester, um nome que provinha de uma palavra persa que significa “estrela” e derivava do nome de uma deusa babilónica (Isthar), que significava “deusa do amor”. Naturalmente, esse nome não teve qualquer influência em sua vida de comunhão com o Deus de Israel. No seu livro bíblico, Ester é a personagem principal da história que fala de uma jovem cujos valores morais e espirituais serviram para torná-la um instrumento de justiça de Deus para salvar a sua gente. Quando levada para o palácio de Susã, ela era uma jovem entre tantas outras jovens bonitas e prendadas. Entretanto, o seu tio Mardoqueu tinha uma visão mais ampla acerca do futuro de Ester e, por isso, disse-lhe: “[...] quem sabe se para tal tempo como este chegaste a este reino?” (Et 4.14).
Ester, entre tantas lindas jovens, foi a escolhida para o lugar de Vasti
Nesse ponto estamos fazendo uma pequena digressão histórica que nos leva ao primeiro estágio de Ester antes de se tornar a escolhida de Assuero. Depois da deposição de Vasti como rainha, as moças escolhidas de todas as províncias foram levadas para a casa das mulheres do palácio e, depois de apresentadas, uma delas seria escolhida para ser a rainha. Quando veio a vez de Ester, sua presença superou a todas as moças que até então haviam sido apresentadas. Ester achou graça diante do rei, e ele baixou o cetro sobre ela e colocou a coroa de rainha sobre a sua cabeça. Mardoqueu, que havia orientado o comportamento de Ester para várias situações, estava assentado “à porta do rei” (Et 2.19) e teve o coração emocionado por ver o desígnio de Deus sendo cumprido na vida de sua sobrinha. Um grande banquete foi preparado com a coroação de Ester, e o rei deu-lhe presentes. Essa escolha estava nos desígnios divinos para que ela, sendo rainha naquele império, tivesse influência suficiente para conceder uma grande libertação ao seu povo, o povo de Deus, e os desígnios malignos de seus inimigos, especialmente, Hamã, que odiava Ester e Mardoqueu, queria destruí-los dentro do reino.
UMA TRAMA DE DESTRUIÇÃO CONTRA 0 POVO DE DEUS A Trama de Hamã, o Agagita
Hamã foi um homem descendente de Agague, um rei amalequita (1 Sm 15.8,33). Servindo no palácio de Susã ao rei Assuero, Hamã foi elevado à posição de primeiro ministro do reino, dando-lhe condições superiores entre todos os príncipes da corte persa, tornando-se o segundo homem mais importante do reino depois de Assuero.
Sem dúvida alguma, o inimigo maior do povo de Deus é o Diabo, que influenciava pessoas para odiarem o povo judeu naqueles dias. Hamã se tornou um instrumento diabólico para perseguir e desejar a destruição do povo judeu. Sua descendência agagita o lembrava de uma história de derrota dos amalequitas, que eram descendentes de Agague e foram derrotados pelo rei Saul no passado, e tinha o estigma do ódio contra os judeus. Era um povo com uma história de pilhagem e roubo que assaltava os que viajavam no deserto, especialmente, Israel. Por isso, esse povo foi amaldiçoado por Deus (Dt 25.17-19).
Hamã era um agagita que odiava os judeus, especialmente Mardoqueu, um judeu que exercia liderança no meio do seu povo. Visto que Hamã tinha poderes políticos advindos do seu “status” de primeiro oficial do reino persa, por sua arrogância, ambição e astúcia resolveu destruir o povo judeu, principalmente, Mardoqueu. Como Mardoqueu não se inclinava perante ele quando passava entre o povo, o seu ódio cresceu e, para tanto, tramou diabolicamente a destruição de todos os judeus que viviam no império. Pelo fato do enforcamento de dois oficiais que haviam tramado o assassinato do rei, por informação de Mardoqueu, a crueldade de Hamã agitou sua adrenalina, e então, cheio de empáfia e espírito vingativo, ele sugeriu ao rei a destruição do povo judeu. A postura de Mardoqueu em não se inclinar perante ele quando passava causou tanta fúria em Hamã que este ficou obcecado com a ideia de destruição total do povo judeu dentro do império. Para esse intento, Hamã persuadiu Assuero a fazer um decreto contra os judeus. Seu plano continha mentiras e calúnias contra o povo judeu de que queriam a morte do rei e por isso deviam ser destruídos totalmente. O rei aderiu ao plano de assassinato de Hamã, que ordenou o massacre do povo, sem deixar escapar mulheres e crianças, além de saquear os bens do povo (Et 3.13-15). Foi marcado um dia especial para destruição do povo judeu e, quando esse povo teve notícias desse decreto, houve grande tristeza e lamento do povo judeu. Mardoqueu, percebendo que a tragédia viria e seu povo seria destruído, vestiu-se de saco de cilício e foi para a porta do palácio de Assuero (Et 4.1-6).
Ester Toma Conhecimento da Trama

Mardoqueu fez mais que se postar à porta do palácio, vestido de tecido de cilício e com cinza sobre a cabeça. Ele se lembrou de que sua sobrinha estava no palácio e era a rainha. Ela estava lá para esse momento especial em que Deus a usaria para salvar sua gente. Ester teve conhecimento do lamento de seu tio Mardoqueu e de todo o seu povo. Sua alma se condoeu mediante a ameaça do maior inimigo dela e do povo judeu. Mardoqueu pediu que Ester entrasse à presença do rei e falasse do intento cruel de Hamã, mas ela não podia entrar à presença do rei sem ser convidada. Mardoqueu, então, cheio de fé na intervenção divina, convenceu Ester a que fizesse a sua parte naquele momento e que confiasse na direção de Deus. Ela foi convencida de que era o meio pelo qual Deus haveria de agir, e Mardoqueu disse-lhe: “[...] quem sabe se para tal tempo com este chegaste a este reino?” (Et 4.14). Ela sabia que não poderia quebrar as regras do palácio, mesmo sendo a rainha. Por isso, arriscou-se, com graça e prudência, para entrar à presença de Assuero. Pelas palavras de seu tio Mardoqueu, ela ficou convencida de que Deus abriria as portas para ter acesso ao trono de Assuero e que, de algum modo, poderia salvar o seu povo da destruição e morte (Et 4.13,14). Ester avaliou bem toda a fala de Mardoqueu e preferiu correr o risco de entrar na presença do rei sem ser convidada. Entretanto, como mulher temente a Deus, pediu a Mardoqueu que reunisse todos os judeus para que jejuassem por ela, sem comer nem beber, até que pudesse tomar a iniciativa e entrar na presença do rei.
Ester Usa de Estratégia Inteligente para Ter Acesso ao Rei
Sem precipitação e com prudência, Ester preparou-se para aquele momento, vestindo-se com vestidos reais e perfumando-se para o encontro. Inicialmente, Ester foi para o pátio interior da casa do rei de modo estratégico. Assuero, ao vê-la com toda a beleza que possuía, ficou deslumbrado pela sua rainha e apontou seu cetro de ouro para ela. Ester chegou à sala do trono, inclinou-se perante o rei e tocou na ponta do cetro com a mão. Ela estava confiada nos desígnios de Deus para aquele momento e, inteligentemente, mostrou sua beleza e também seu respeito pelas leis do palácio. Foi delicada com o rei, que, maravilhado mais uma vez pela beleza de sua rainha, recebeu-a no seu trono. O rei, deslumbrado pela simpatia e beleza da rainha Ester, abriu seu coração e perguntou-lhe: “Que é o que tens, rainha Ester, ou qual é a tua petição?” (Et 5.3). Ester o convida para um banquete e pede que Hamã esteja presente também. Assim, ambos foram ao banquete preparado por Ester (Et 5.8). Visto que Hamã mantinha o seu intento de destruir e matar Mardoqueu e todo o seu povo, após o banquete, sua mulher sugeriu que ele fizesse uma forca para enforcar Mardoqueu acusado de inimigo do rei e do império. Hamã mandou preparar a forca para Mardoqueu e foi para a festa de Ester (Et 5.14; 6.4).
Assuero Descobre Mentiras de Hamã
Quando Hamã saiu do banquete que Ester oferecera a ele e ao rei, estava certo de que deveria fazer alguma coisa que agradasse ao rei. Falou da sua alegria em ter estado no banquete de Ester, mas não aceitava o fato de Mardoqueu, à porta do palácio não o respeitava nem se inclinava perante ele. Por isso, ao contar da sua raiva contra Mardoqueu, sua mulher deu a sugestão de fazer uma forca para ele e, assim, estaria livre daquele homem; certamente isso agradaria ao rei.
Hamã tomara para si o mérito da descoberta dos homens que tramavam o assassinato do rei, mas o mérito era de Mardoqueu, que informou a rainha Ester para ela informasse ao rei em seu nome. Naquela noite, o rei não conseguiu dormir, porque o Espírito de Deus tocou em sua consciência e, por essa razão, o rei pediu para ver os livros das crónicas que traziam relatos dos fatos de cada dia no império. Nessa leitura feita diante do rei, descobriu-se que foi Mardoqueu quem, de fato, salvou o rei da trama do assassinato que intentaram os dois eunucos, oficiais do palácio.
Hamã queria a destruição de Mardoqueu e do povo judeu, inclusive da própria rainha, que era de origem judia. Mas Ester informou ao rei que havia um plano para matá-la, bem como ao povo judeu, e esse plano havia sido tramado por Hamã, o que enfureceu o rei.
A CORAGEM DE ESTER PARA SALVAR 0 SEU POVO Ester Desmascara Hamã diante do Rei
Segundo o relato, durante toda a noite, Hamã mandou preparar a forca que seria colocada no lugar mais alto possível para que todos vissem aquele que seria enforcado — conforme o seu intento, Mardoqueu. Estava tão certo de que isso agradaria o rei que foi ao banquete cheio de empáfia e confiante de que seria, mais uma vez, honrado pelo rei.
No primeiro banquete de Ester, ela não revelou nada especifica- mente. Decerto, o dedo de Deus na direção da sua vida não permitiu que houvesse qualquer precipitação. Então, Ester convida o rei e Hamã para outro banquete. A rainha Ester, mais confiante e decisiva do que deveria fazer, usou de sua habilidade social e política e da apreciação amorosa de Assuero por ela, esperou o momento certo para falar ao rei sobre a trama de morte e destruição engenhada por Hamã. O rei já sabia da mentira de Hamã quando ouviu o registro feito nas crónicas do império de que foi Mardoqueu, não Hamã, quem impediu o plano de morte contra o rei. Soube que foi Mardoqueu que impediu que a trama se efetivasse ao informar à rainha, cinco anos atrás. Agora, o rei queria honrar o homem que o livrara da morte por traição naquele tempo. Até então, o nome de Mardoqueu não havia sido revelado naquele banquete. Quando o rei perguntou o que deveria ser feito para honrar o homem que o havia salvo da morte, o próprio Hamã, pensando ser ele mesmo a quem o rei honraria com homenagens especiais, sugeriu o tipo de homenagem que deveria receber. A sugestão de Hamã era que o homem que receberia a homenagem seria conduzido em um cavalo da cavalariça do próprio rei e fosse vestido com roupas de gala e com o anel do rei. Arrogante, Hamã imaginou que esse homem seria ele mesmo. Assuero, então, de forma objetiva e determinada, ordenou a Hamã que honrasse um homem especial, maltratado por ele, que deveria receber as honras sugeridas por ele. Esse homem era o judeu Mardoqueu, que deveria ser conduzido pelas ruas da capital, montado em um cavalo do rei, vestido com roupas palacianas e com o anel do rei. A mais alta honraria que um súdito poderia receber. Por outro lado, aprendemos o que acontece com os arrogantes: Ele abate o soberbo e exalta o humilde (Ez 21.26; Tg 4.6).
Mardoqueu e todo o Povo Judeu —
Salvos Graças ao Papel Persuasivo de Ester
Nos dois banquetes oferecidos por Ester, o rei estava tão feliz com sua rainha que estava disposto a conceder o que ela quisesse, quem sabe mais joias, outro palácio, ouro, prata e coisas semelhantes (Et 5.3). O rei estava disposto a dar-lhe até metade do seu reino, mas não era isso que Ester queria da parte do rei. No primeiro banquete, ela pediu apenas que o rei e Hamã aceitassem o convite para um segundo banquete, em que ela revelaria ao rei o que desejava. No segundo banquete, com a presença do rei, de Hamã e de todos os demais convidados, a rainha Ester revela o seu pedido ao rei (Et 7.3,4). Com lágrimas nos olhos e com angústia em sua alma, ela revela o plano assassino de Hamã contra ela mesma, contra Mardoqueu e contra todo o seu povo no império. Foi um momento de consternação, mas de coragem, em que ela apontou o dedo para Hamã como aquele que desejava a morte dela e de todo o seu povo. Então pediu que fosse revogada a lei contra os judeus. O rei se enfureceu contra Hamã e, saindo para fora no pátio do palácio, o rei externava a sua raiva contra aquela situação em que a própria rainha estava ameaçada de morte mediante o intento de Hamã. Mesmo que a lei não pudesse ser revogada, também não seria executada. Posteriormente, o rei deu um decreto de proteção aos judeus (Et 8.8-12).
A forca preparada para desonrar Mardoqueu e expor seu corpo publicamente foi utilizada para enforcar a Hamã (Et 7.9,10). Mardoqueu assumiu o lugar de Hamã, e o rei sabia que ele não o trairia. 
Mardoqueu Estabelece a Festa do Purim
Deus salvou o seu povo, mesmo estando ainda exilado em outra terra, usando uma mulher especial que se colocou em suas mãos para ser instrumento de salvação para o seu povo. A palavra Purim é derivada da palavra hebraica para “sortes”. Quando Hamã tramou a destruição do povo judeu, foi procurar astrólogos para lançarem sortes com o fim de ter certeza de que a trama seria efetivada. Em função da grande libertação do povo judeu nas terras persas, Mardoqueu entendeu que aquela data deveria ser celebrada por todos os judeus, convertendo-se numa celebração tradicional para todos os tempos da vida do povo judeu.
Onde Está o Deus do Livro de Ester?
Em todo o livro, não aparece o nome de Jeová, mas Ele estava presente na condução daquela história do povo de Deus em atos e manifestações de poder. A sobrevivência dos judeus ao longo da história da humanidade revela a mão providencial do Todo-Poderoso em cada evento e em cada detalhe ao proteger e preservar seu povo. Sua providência é visível em todos os fatos que envolveram personagens como Mardoqueu e Ester. O poder invisível de Deus é obvio, ordenando soberanamente cada detalhe da vida daqueles exilados para preservá-los e ensiná-los a reconhecer que Ele cumpre a sua palavra em quaisquer circunstâncias.
A lição que aprendemos com Ester é que a sua história emergiu da tragédia, das perplexidades incontáveis e das intervenções divinas para fazer valer as suas promessas. O povo judeu foi salvo, estando em terra estranha e pagando caro pelos erros de seus líderes no passado, mas Deus não o abandonou. Ele cumpre o que diz e promete. Deus cuida do seu povo.
Na providência divina, os desígnios de Deus são efetivados para que suas promessas e alianças se cumpram cabalmente. 


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Lição 10 – Josafá: Adorando a Deus em meio a calamidade

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Buscai ao Senhor enquanto se pode achar, invocai-o enquanto está perto.        Isaías 55.6 

Josafá foi o quarto rei de Judá depois de Asa, seu pai, o qual reinou por quarenta e um anos tendo iniciado seu reinado em 911 a.C. Foi um rei exemplar e, nos primeiros dez anos, Asa fez prosperar o reino expandindo seu domínio. Edificou cidades e as fortificou com muralhas, torres e portas pesadas (2 Cr 14.6,7), de tal modo que não era fácil a entrada de gente estranha ao reino. Depois de alguns anos de paz, Asa deixou de buscar a Deus e tomou decisões que trouxeram guerra e problemas políticos para o seu reino. Dois anos antes de sua morte, Asa ficou doente nos pés, vindo a falecer. Foi sucedido no trono por seu filho Josafá, em 873 a.C.
A história de Josafá ganha importância pelo cuidado inicial que ele teve em dar continuidade a algumas obras iniciadas por seu pai. Josafá foi um rei enérgico e muito hábil em seus dias. Sua aprendizagem inicial foi como corregente por três anos junto ao seu pai. Josafá procurou desenvolver uma relação de paz com Israel, uma vez que eram irmãos. Porém, essa aliança feita com reis de Israel lhe trouxe problemas no seu reino. Sua história nos traz lições preciosas que nos mostram uma liderança espiritual, sujeita a falhas como qualquer outra liderança, mas alicerçada em princípios de temor a Deus. As lições dessa liderança são úteis para a igreja de Cristo nos tempos atuais, quando lutamos contra potestades espirituais que procuram desestabilizar a igreja na sua relação com o Senhor. Por outro lado, aprendemos com Josafá, princípios com os quais podemos fazer a igreja crescer.
OS ANTECEDENTES DO REINO DE JOSAFÁ A Divisão do Reino de Israel
É sempre difícil entender por que Deus permitiu essa divisão do seu povo em dois reinos, o de Israel e o de Judá. Mas os livros dos reis e das crónicas do Antigo Testamento entraram no cânon das Escrituras, porque Deus não vê no sentido horizontal, mas no sentido vertical, de cima para baixo. Ele conhece todas as coisas e seu cetro de poder sobre o seu povo está em suas mãos. Quando lemos sobre os dois reinos, Israel e Judá, entendemos o paralelo histórico que existe entre os fatos registrados nos livros dos reis e nos livros das crónicas. Todos os fatos registrados nesses livros apresentam a história das divisões entre os povos do norte e do sul do povo de Israel, identificados como “o Reino do Norte, Israel” e o “Reino do Sul, Judá”. O Reino do Norte ficou com dez tribos, e o Reino do Sul com duas tribos. Essa divisão do povo de Israel aconteceu nos dias de Roboão (924 -908 a.C.), filho de Salomão que deixou de buscar a Deus e seguiu os passos de seu pai quando se envolveu com a idolatria pagã. Ele se casou com Naamá, mulher amonita, que fora uma das muitas mulheres de Salomão, e esta muito o influenciou em decisões importantes do reino. O reino enfraqueceu economicamente, e muito mais espiritualmente. Com o enfraquecimento económico do reino, Roboão resolveu aumentar a carga tributária que já era pesada desde os tempos de Salomão sobre o povo. Por causa dessa carga tributária, Roboão não se dispôs a aliviar os impostos sobre o povo. Pelo contrário, endureceu ainda mais sem usar de bom senso e respeito pelo povo. As tribos que viviam no norte de Israel romperam com as tribos do sul (2 Cr 10.1-15), e assim aconteceu a separação do norte e do sul.

Os Dois Reinos e seus Reis, Jeroboão e Roboão
As dez tribos formaram outro reino, sobre o qual reinou Jeroboão, e o chamaram Israel; as duas tribos, Judá e Benjamim, com a capital Jerusalém, formaram o Reino de Judá, e Roboão foi o seu rei. Jeroboão, fazendo-se rei do Norte (Israel), foi um mau rei voltado para a idolatria. Ele desafiou a religiosidade do seu povo e construiu um santuário para um Bezerro de Ouro, abrindo espaço para dois centros de adoração entre as tribos do norte. Por outro lado, assumiu o reino de Judá o jovem Roboão, que foi um mau rei (2 Cr 12.14,15). Seu fracasso começou, sem dúvida, quando seguiu o mau exemplo de seu pai, Salomão, tendo uma vida polígama com muitas mulheres e concubinas. Asa era neto de Roboão e Maaca, e, quando feito rei, restaurou o culto a Deus e fez um excelente governo em Judá nos anos (905-865 a.C.). Seu filho Josafá, foi corregente com o pai, e depois da morte de Asa, reinou sobre o reino de Judá.
O REINO DE JOSAFÁ Quem Era Josafá
Josafá foi o quarto rei de Judá (870- 848 a.C.) e adquiriu experiência no reino sendo corregente com seu pai, Asa, por aproximadamente três anos (1 Rs 22.41-50). Josafá, tendo o pai como referencial de governo e espiritualidade, exerceu um governo de grande prosperidade. Diz o texto que ele “andou nos primeiros caminhos de Davi, seu pai” (2 Cr 17.3). Sua mãe chamava-se Azuba e não parece que tenha exercido qualquer influência sobre ele. Enquanto o outro reino, o reino de Israel, permitiu que a idolatria dos dias de Acabe e Jezabel dominasse o reino, o rei de Judá, Josafá, ao contrário, desfez e mandou quebrar os altares construídos nos montes aos deuses pagãos. Ele entendeu de início que o seu reino prosperaria se voltasse a servir a Deus. Então ele enviou seus príncipes por todas as terras do reino de Judá para ensinarem ao povo acerca do Deus de Israel mediante a obediência e o respeito à Lei e aos mandamentos do Senhor. Para tirar o povo da crise económica e espiritual, Josafá cria fortemente que só haveria uma reforma verdadeira e segura se o povo voltasse a reconhecer a soberania de Deus. Seus príncipes, sacerdotes e levitas se dedicaram a visitar todos os lugares do reino ensinando a Palavra de Deus. 
Prosperidade de Josafá no Reino de Judá
No terceiro ano de seu reinado, Josafá estabeleceu um sistema para administrar a justiça em todos os lugares de Judá. Para tal empreendimento, visando estabelecer ordem no reino, ele nomeou juízes capazes para julgar as causas do povo em todo o reino. Eram pessoas de confiança do rei, as quais deveriam administrar a justiça sem temor, sem favores nem suborno.
Josafá levou o avivamento ao coração do povo por meio do ensino do “livro da Lei”. Principalmente, os levitas e sacerdotes de Jerusalém deveriam cumprir essa missão. De cidade em cidade, aos sábados, especialmente, eles reuniam o povo nas praças. Como não havia sinagogas nem templos fora de Jerusalém, esses comissionados do rei iam às praças e ensinavam ao povo acerca dos seus deveres para com Deus, com o próximo e com o reino, com a garantia da bênção de Deus. Essa ação promoveu um grande avivamento espiritual no coração do povo. Deus honrou a Josafá, e um grande exército — com aproximadamente 700 mil homens valentes — estava à disposição para defender a sua terra e o reino. Temos a tendência de diminuir nossa devoção ao Senhor quando gozamos de prosperidade, quando não falta dinheiro no bolso, quando temos saúde abundante, quando tudo está aparentemente em paz. Muitos líderes em seus sucessos se esquecem de buscar ao Senhor e passam a agir por conta própria, sem consultar nem depender de Deus. Josafá começou a agir com atitude independente e começou a errar.
AMEAÇAS ENFRENTADAS POR JOSAFÁ A Perigosa Aliança Feita com Acabe
Ainda nos dias de Acabe, rei de Israel — um rei que trouxe desgraça para o povo de Deus porque não temia ao Senhor —, o rei Josafá, desejando que houvesse paz entre os dois reinos, faz uma aliança com a casa de Acabe. Josafá e Acabe negociam o casamento de Jorão, filho de Josafá, com a filha de Acabe e Jezabel, chamada Atalia. Jezabel tinha uma forte influência sobre seu marido, Acabe, e, naturalmente, sobre seus filhos. Não foi diferente com Atalia, que preferia os deuses fenícios ao Deus de Israel. Nessa aliança, Acabe e Josafá entraram em guerra contra os tiros a fim de tomar a Ramote-Gileade. Acabe tramou um plano pernicioso para que Josafá fosse morto e ele levasse a fama da guerra. Nesse tempo, enquanto estão na guerra, Atalia, mulher de Jorão, toma posse do trono de Judá, levando Israel à apostasia por seis anos. Quando Josafá volta ao seu lugar no reino de Judá, entendeu o perigo do jugo desigual com os incrédulos.
Josafá deixou de buscar ao Senhor e passou a agir por si mesmo, confiado apenas na sua capacidade de governante. Por outros interesses, fez aliança com Acabe, que era um rei perverso e sem o menor temor de Deus no seu coração. Essa aliança não agradou ao Senhor porque punha o seu povo em perigo. Essa aliança foi selada com o casamento com a filha de Acabe, um parentesco que lhe traria derrota moral, física e espiritual.
Repreensão de Deus por meio do Profeta Jeú
Josafá, sem consultar a Deus, fez uma aliança com Acabe, rei de Israel. Foi uma aliança militar que produziu uma derrota para ambos os reinos. Deus levantou ao profeta Jeú, que condenou a aliança com Acabe, um rei inimigo de Deus e do povo de Israel. Mas Deus conhecia o coração de Josafá e sabia que havia temor, a despeito da atitude precipitada que havia tomado na aliança que fez com Acabe. Por isso, a ira de Deus foi desviada de Josafá, porque este havia resgatado o verdadeiro culto a Jeová. Josafá resgatou a ordem de justiça na terra de Judá, e um novo sentimento de segurança nas famílias, de justiça, de prosperidade material e espiritual passou a dominar o coração do povo. Depois da repreensão, Josafá humilha-se perante o Senhor e, além das reformas estruturais no governo das cidades de Judá, restabelece o lugar de Deus na vida do povo.
Josafá Enfrenta Ameaças contra o seu Reino
Em meio às mudanças positivas que Josafá realizou em seu reino, surge uma crise política externa provocada pelos moabitas, que declararam guerra contra Judá. A informação chegou a Jerusalém de que um forte exército estava marchando para a cidade santa. Foi uma terrível notícia, e, então, Josafá convoca o povo para um jejum nacional com oração a Deus para o Senhor interferisse naquele ataque de Moabe.
Um pouco antes desse ataque dos moabitas contra Judá, conforme está descrito no capítulo 18, Acabe e Josafá firmam uma aliança contra os moabitas e amonitas. Eles partiram para a guerra contra esses povos, e a batalha foi trágica em Ramote-Gileade da Síria. Nessa batalha, Acabe foi ferido (2 Cr 18.33,34). Acabe tramou uma situação em que Josafá viesse a ser morto, mas os amonitas e moabitas viram que Josafá não era Acabe, por isso, não o mataram (1 Rs 22.1-38; 2 Cr 18.28-32). Sem dúvida, o Senhor o protegeu. Por essa razão, Josafá foi repreendido pelo profeta Jeú, principalmente pelo fato de ter-se aliado com Acabe (2 Cr 19.1,2).
Visto que estava seguro de que suas fronteiras eram bem protegidas e não corriam o risco de serem ultrapassadas, Josafá se descuidou. Os amonitas, os edomitas e os moabitas uniram forças para invadir Judá cruzando o Mar Morto em direção a En-Gedi com muitos soldados, cavalos e armas de guerra. Então, Josafá, consciente do erro que havia cometido na sua aliança com Acabe, entendeu que Jeová, o Senhor Todo-Poderoso, o Deus de seu povo, poderia salvá-lo, bem como ao povo de Judá, de serem destruídos pelo inimigo.
ATITUDES VITORIOSAS PARA ENFRENTAR AS AMEAÇAS
Josafá precisou agir rápido, com atitudes que fossem capazes de mudar o estado de espírito do povo, que estava assustado com a aproximação de um grande exército formado com aliados inimigos do reino de Judá. Essas atitudes requeriam a união de todo povo, e todas as famílias responderam positivamente ao apelo do rei.
Josafá Propõe ao Povo Invocar o Nome do Senhor
Josafá, mediante a ameaça dos moabitas, convocou o povo em jejum e oração juntamente com ele. Na sua oração, Josafá reconhece a soberania de Deus sobre todas as coisas e como sendo o único que poderia intervir naquela situação (2 Cr 20.6-12). Jejum e oração são dois ingredientes eficazes para solucionar o problema. Todo o povo de Judá sabia e, reunido numa demonstração de fé e confiança em Deus, aceitou o pedido do rei Josafá de clamar pelo Senhor em seu socorro. Era uma nação inteira buscando a Deus. Nossa nação brasileira está vivendo uma de suas maiores crises, que abrange a todos económica e moralmente, porque a mentira, o engano e a incredulidade campeiam as mentes. É tempo de as igrejas se unirem para orar e jejuar pedindo a intervenção divina. A prática do jejum e da oração quase não mais existe, e os cristãos estão à mercê dessa tragédia moral e espiritual na nossa nação. Nenhum cristão verdadeiro duvida do poder da oração. Aquela atitude do rei Josafá significa um ato de humilhação nacional em total dependência de Deus. Era a admissão de culpa e a intenção de alcançar a misericórdia e o socorro divino para aquela situação inevitável. O povo atendeu ao apelo do rei Josafá, começando ali um grande avivamento espiritual na vida de todos. Não há crise que não possa ser vencida quando confiamos no Senhor. Davi, em um dos seus cânticos disse: “Uns confiam em carros, e outros, em cavalos, mas nós faremos menção do nome do Senhor, nosso Deus” (SI 20.7).
Nos grandes desafios da igreja atual, quando ameaçada por circunstâncias materiais, morais e espirituais, as soluções espirituais têm sido menosprezadas por soluções meramente humanas. E tempo de restaurar a invocação ao nome do Senhor! Jejum e oração são práticas raras nos tempos modernos, mas sempre estiveram na experiência dos grandes servos de Deus (2 Co 6.5). Jesus declarou que aquela casta de demónios que dominava um pobre homem só seria expelida “pela oração e pelo jejum” (Mt 17.21).
Deus Fez o Povo Ouvir a Voz Profética de Jaaziel
Mesmo em meio à crise, Deus sempre tem alguém que ouve a sua voz e se torna voz profética para o seu povo. Foi o que Deus fez em Judá. No meio do povo de Deus sempre haverá espaço para ouvir a palavra do Senhor por meio de seus profetas. O Senhor não falava só nos tempos históricos, mas ainda fala pelo “dom da profecia” na sua igreja, porque cremos na atualidade dos dons espirituais. Deus levantou Jaaziel, que profetizou para o povo e levantou o ânimo de todos. Na palavra profética, Deus disse que o seu povo não entraria em guerra, com estas palavras: “Nesta peleja, não tereis de pelejar; parai, estai em pé e vede a salvação do Senhor para convosco, ó Judá e Jerusalém; não temais, nem vos assusteis; amanhã, saí-lhes ao encontro, porque o Senhor será convosco” (2 Cr 20.17). Na peleja contra o inimigo de nossas almas precisamos confiar no Senhor. Temos dois modos de ouvirmos a voz profética em nossos dias. Aquele que profetiza mediante a inspiração da palavra pregada e ensinada, bem como mediante o dom do Espírito, quando o profeta ouve de Deus e transmite à igreja a mensagem divina (Ef 4.11; 1 Co 12.10). Precisamos de um avivamento capaz de reativar os dons espirituais na igreja.
0 Povo Foi Estimulado a Louvar e Adorar ao Senhor
O rei Josafá não teve dúvida da voz profética de Jaaziel (2 Cr 20.15). Desde o rei até ao mais simples súdito do reino, todos aceitaram a mensagem de Deus e começaram a adorar e a louvar ao Senhor (2 Cr 20.18,19). Os levitas, não só os que serviam nos sacrifícios, mas aqueles que tinham a missão da adoração e do louvor, começaram a louvar ao Senhor pela sua majestade santa, pela sua benignidade eterna. Houve grande júbilo e a certeza da vitória que o Senhor daria ao seu povo. O louvor, quando ministrado de forma a reconhecer a soberania divina, tem o poder de abrir portas na presença de Deus. Quando o povo começou a adorar a Deus, Josafá acalmou seu coração porque entendeu que o Senhor cumpriria a sua palavra e nenhuma família se perderia. Quando os exércitos inimigos se aproximaram de Jerusalém e ouviram o som dos louvores, diz a bíblia que começaram a cair em emboscadas e se destruírem uns aos outros, sem que ninguém do povo judeu precisasse fazer qualquer coisa. Os exércitos inimigos foram desbaratados porque Deus os confundiu (2 Cr 20.24).
Josafá e todo o povo de Israel descobriram que as nossas batalhas sem o Senhor na direção significam tragédia. Quando reconheceram a soberania de Deus para fazer o impossível, não tiveram mais dúvidas: só o Senhor é capaz de nos dar vitória para fazer valer sua palavra sobre nós. O povo de Judá e o seu rei aprenderam a colocar Deus no seu verdadeiro lugar como Senhor e Rei soberano, e o fizeram mediante o louvor e a adoração. Deus impediu que os inimigos entrassem em Jerusalém confundindo-os e, por isso, o povo de Judá demonstrou gratidão a Deus pela vitória que o Senhor lhes concedeu.
CONCLUSÃO
A história de Josafá é uma história de proezas políticas, económicas e espirituais porque tinha como referencial o seu pai Asa. Como homem, teve suas falhas, mas seu coração ainda estava com o temor a Deus. Soube pedir perdão ao Senhor e arrepender-se quando errava, e Deus se agrada de um coração contrito. Os fatos da história de Josafá se constituem modelo para quem quer superar crises. Ele buscou ao Senhor e reconheceu a soberania divina para solução de seus problemas, louvando e adorando ao Senhor.
A oração e o louvor a Deus constituem a arma secreta do crente na luta contra o Inimigo. 

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